Homem segurando dois currículos diferentes em um ambiente de trabalho moderno

Se eu pudesse resumir em uma frase o que aprendi ao longo da minha vida profissional, seria: ninguém é obrigado a ter um só currículo. Eu vivi isso na pele, e, honestamente, recomendo que todos pensem sobre a própria trajetória de um jeito mais aberto e menos limitado ao que aparece em uma folha de papel ou no perfil do LinkedIn.

Por que falar de mais de um currículo?

Essa ideia pode soar provocativa para quem cresceu ouvindo que currículo é só aquilo que você preenche para concorrer a vagas. Mas, na verdade, cada profissão, cada etapa da vida, pode, e deve, ser vista como um capítulo de uma história com vários enredos.

No Digital Anywhere, discutimos o digital como algo que faz parte da realidade dos negócios, das jornadas pessoais, das viradas de carreira e criação de oportunidades. Ter mais de um currículo se conecta demais com essa ideia de multiplicidade e adaptação.

Minha trajetória: do buffet ao mercado digital (e além)

Aos 12 anos, comecei abrindo garrafas num buffet. Mais do que um trabalho, aquele ambiente se tornou família. Aos 17, eu já coordenava eventos, casamentos, formaturas, foi ali que aprendi responsabilidade e jogo de cintura, algo que nenhuma graduação ensina.

Com o tempo, virei DJ, promotor de eventos e, em cada função, aprendi um pouco mais sobre pessoas e desafios. Terminei o ensino superior em marketing aos 24, mas faltava encaixe no mercado, viver no interior sempre foi um teste de resiliência. Decidi radicalizar: fui para o Canadá.

Recomeço é sinônimo de coragem, não de fracasso.

Não foi fácil. Cheguei lá sem inglês, sem contatos, só com a mala e a disposição de dormir num sofá da casa de uma prima. Trabalhei com drywall, limpeza, demolição. Fui vários “Brunos” ao mesmo tempo: o da faxina, o da marreta, e principalmente, o que nunca desistia. Aprendi na marra.

Quatro anos depois, voltei ao Brasil. Voltei diferente.

O currículo “oficial” e o currículo da vida

De volta, estudei o mercado, me atualizei e mergulhei novamente em marketing. Passaram empregos, projetos, conquistas. Esse é o currículo que está impresso, nos cargos e empresas que todo mundo vê no LinkedIn. Importante, claro. Mas só uma parte da história.

Vários documentos de diferentes tipos sobrepostos, representando diferentes currículos ou trajetórias profissionais. O que quase ninguém vê: sou tatuador, tenho um estúdio, sou apaixonado por arte. Há quase 3 anos, faço flash tattoos em casamentos, uma mistura de criatividade, experiência e evento que me dá prazer e sentido. E, olhando para trás, percebo: sempre fui inquieto.

  • Buffet aos 12 anos
  • Coordenador de eventos aos 17
  • DJ e promotor de eventos
  • Imigrante no Canadá
  • Profissional de marketing
  • Tatuador, empreendedor, artista

Cada uma dessas experiências constrói um currículo próprio. O formal, que cabe em uma página. E o invisível, que só aparece no repertório, no olhar, na capacidade de aprender, desaprender e recomeçar.

Por que todos podem (e devem) ter mais de um currículo?

Hoje, a realidade do mercado de trabalho no Brasil corrobora isso. Dados recentes mostram que, em 2024, mais de 8,3 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais continuam trabalhando, e mais da metade atua por conta própria ou como empregador (nível de ocupação recorde entre idosos). Esse dado revela uma busca por adaptação e múltiplas ocupações.

O mesmo é visto entre os mais jovens. Entre 2022 e 2024, houve aumento de 25,4% no número de trabalhadores atuando por aplicativos. Já são 1,7 milhão de pessoas que apostam na diversificação e em múltiplas fontes de renda (trabalho por aplicativos cresceu).

Seja por escolha, seja pela necessidade, ter diferentes experiências virou o padrão, não a exceção. Isso se traduz em múltiplos currículos, formais ou informais, e exige um olhar mais atento ao que tem valor real em cada jornada.

Como usar esses “currículos invisíveis” a seu favor?

Olhando para minha própria história, vejo que as habilidades fundamentais para me reinventar vieram de experiências nem sempre valorizadas nos processos seletivos tradicionais.

  • Paciência e persistência do drywall e das faxinas
  • Rapidez de adaptação como DJ e promotor de eventos
  • Empatia e capacidade de ouvir, das funções que exigiam lidar com diferentes pessoas
  • Criatividade e expressão artística do universo das tatuagens

Essas habilidades, quando agregadas ao currículo formal, ampliam minha atuação, aumentam as oportunidades e dão um sentido mais genuíno à carreira. No Digital Anywhere na sessão sobre estratégias digitais, essa abordagem de conectar trajetórias diversas ao que se faz hoje é tema recorrente e muito atual.

Multiplos currículos e o futuro do trabalho: números que contam uma história

Nunca se falou tanto em múltiplas ocupações. Segundo dados de 2022, mais de 13,4 milhões de trabalhadores com 50 anos ou mais estavam ativos, boa parte em ocupações com baixa exigência educacional e remuneração reduzida (mercado de trabalho com mais de 50 anos). Ao mesmo tempo, o empreendedorismo cresce junto com o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ (aumento de trabalhadores por conta própria).

A diversidade de experiências é a base para se manter competitivo. Ter mais de um currículo é cada vez mais visto como sinal de coragem, criatividade e adaptação. E a massa de rendimento real aumentou, chegando a R$ 349,4 bilhões em 2025, especialmente por causa dessa busca por novas formas de trabalho (crescimento do rendimento real).

Como criar e estruturar seus múltiplos currículos?

Na minha prática, sugiro sempre pensar em cada bloco de experiências como um currículo próprio. Uma forma de organizar isso:

  1. Mapeie suas experiências principais e as paralelas, Valha cada trabalho, estudo, ou projeto que ensinou algo relevante.
  2. Separe as competências técnicas das comportamentais, O que aprendi como DJ e tatuador pode estar mais ligado à criatividade e à relação interpessoal; já o marketing e eventos são competências técnicas.
  3. Adapte o currículo para cada propósito, Não existe regra que diz que não se pode ter um currículo para cada carreira, projeto ou sonho.

É assim que eu faço, e é assim que incentivo no Digital Anywhere e também nas categorias de inovação e criatividade: mostrar seu valor real, ir além do óbvio e não se resumir a apenas uma atividade.

A coragem de trabalhar vários “eus”

Ter dois ou mais currículos não é dupla personalidade, mas múltipla potência. Quando percebo que minha trajetória profissional se espalha por diferentes caminhos, marketing, tatuagem, eventos, arte, noto que a soma das peças me faz mais completo. O mercado exige resiliência, adaptação, coragem.

No Digital Anywhere, na seção de transformação digital, refletimos muito sobre como essa multiplicidade humana faz diferença em projetos, negócios e soluções dentro do mundo digital real. A digitalização permite formas diversas de atuação, dando espaço para que cada indivíduo seja mais de um ao longo da vida.

Seu principal currículo é o da sua vida, não só o do LinkedIn.

Conclusão: Seu maior currículo é viver diferente

Se você se sente dividido entre “o que diz seu currículo formal” e “tudo o que você já viveu”, saiba que não está sozinho. Eu segui mais de um caminho, tive diferentes ocupações, criei valor em cada uma delas. Todos podemos, sim, ter dois ou mais currículos. E isso não é sinal de confusão, mas de coragem para ser mais.

Quer levar o digital, a inovação, a criatividade ou o seu próprio repertório mais a fundo? Siga acompanhando o Digital Anywhere. Esse é o espaço para quem acredita que tecnologia e múltiplas trajetórias ampliam horizontes reais e criam conexões sólidas entre vida, mercado e futuro.

Perguntas frequentes sobre ter mais de um currículo

O que é ter mais de um currículo?

Ter mais de um currículo significa reconhecer e formalizar diferentes trajetórias, competências e experiências da sua vida profissional e pessoal. Isso permite direcionar seu perfil para oportunidades variadas, mostrando facetas distintas do seu repertório.

Como faço para criar vários currículos?

O caminho é organizar suas experiências conforme cada área de atuação, por exemplo, um currículo para carreira artística, outro para marketing, outro para serviços técnicos. Use modelos flexíveis, adapte as informações e destaque os aspectos mais relevantes de acordo com o foco desejado.

Quando devo usar currículos diferentes?

Currículos diferentes são úteis quando você atua ou tem interesse em áreas distintas, participa de projetos variados ou busca vagas que valorizam competências diferentes. Isso cria mais chances de mostrar o que você tem de melhor em cada contexto.

É melhor ter mais de um currículo?

Depende do seu perfil e dos seus objetivos. Quem busca múltiplas atuações, quer empreender ou experimentar áreas diferentes, normalmente se beneficia de ter mais de um currículo. Assim, fica mais fácil mostrar valor em contextos diversos.

Posso enviar dois currículos para a mesma vaga?

O ideal é enviar um currículo direcionado à vaga específica. Caso a empresa esteja aberta a perfis multifacetados, mencione sua diversidade em uma carta de apresentação, portfólio ou durante a entrevista, mostrando que essa pluralidade pode ser um diferencial.

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Bruno Bicudo

Sobre o Autor

Bruno Bicudo

Bruno Bicudo é um especialista em e-commerce, inovação e estratégias digitais, com mais de 10 anos de atuação no mercado. Líder de projetos e criador de soluções criativas, dedica-se a transformar desafios em oportunidades, focando em experiências inovadoras para consumidores e empresas. Bruno busca otimizar processos e promover o crescimento sustentável dos negócios, colocando sempre o cliente no centro de suas ações. Sua missão é inspirar pessoas e empresas a enxergarem oportunidades através da inovação digital.

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